A primeira vacina foi desenvolvida através de observação, em 1798, graças a uma experiência do médico e cientista inglês Edward Jenner. Ele ouviu relatos de que trabalhadores rurais não pegavam varíola, pois já tinham pego a varíola bovina, de menor impacto no corpo humano. Ele então introduziu os dois vírus em um garoto e percebeu que o rumor tinha de fato uma base científica.

Fundamentais para o combate de doenças ao longo da história da medicina, as vacinas surgiram como um grande avanço e trouxeram tranquilidade e facilidade aos tratamentos em saúde pública. Através da imunização foi possível reduzir a incidência de doenças como pólio, sarampo e tétano.

Nos últimos anos, os grupos antivacina foram responsáveis por propagar a ideia no Brasil de que as vacinas não são necessárias. Essa ideologia acabou se popularizando rapidamente e dividindo opiniões entre especialistas e população. Independente de opiniões, o fato é que a bandeira antivacina foi responsável por trazer de volta ao País surtos de doenças que já estavam erradicadas, como o sarampo, por isso, hoje, dia 9 de junho, Dia Mundial da Imunização, batemos um papo com o Dr. Luzo Dantas Neto, Médico do Serviço de Atenção Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE-CTA) do Município de Colombo – PR, para falar sobre a importância da vacinação.

Manter a vacinação em dia é essencial para blindar o organismo contra as doenças que ameaçam a saúde de toda a população. De acordo com o médico, o ato de não se vacinar representa um perigo, primeiramente, às pessoas que optam pela não imunização. “Além de ser perigoso para elas mesmas, podem levar doenças para outras pessoas que ainda não possuem imunidade na população. Algo parecido aconteceu entre 2018-2019, quando o Brasil tinha certificado de País livre do sarampo, levando a um afrouxamento da vacinação que, após os surtos, fez a doença tornar-se endêmica novamente”.

Dantas lembra que não é um dever do paciente adulto ter que se imunizar, mas uma recomendação para reduzir danos à saúde. “É uma forma eficaz de reduzir o contágio e a forma grave de doenças, bem como a disseminação para outras pessoas”. Caso uma pessoa não tenha mais sua carteira de vacinação, ele explica que o ideal é ir a uma unidade básica de saúde. “Quando acontece a perda de documento de vacinação, as equipes de saúde partem do princípio que algumas vacinas são aplicadas em todos os cidadãos, como é o caso da BCG e da primeira dose de Hepatite B, que são aplicadas na maternidade. Depois disso, priorizam vacinas de doenças endêmicas na região e por último, completar o calendário vacinal do paciente. Logo, recomenda-se realizar a imunização completa”, destaca.

O SUS conta atualmente com 19 vacinas disponíveis, para que a saúde de todos esteja protegida. “O calendário vacinal do SUS é bem amplo e em alguns casos o médico consegue solicitar imunobiológicos especiais dependendo do caso do paciente. Ainda assim, existem as vacinas disponíveis na rede privada que aumentam a proteção ou reduzem os efeitos adversos de algumas vacinas”, finaliza o Dr Luzo Dantas Neto.

Vacinas disponíveis na rede pública de saúde
BCG: previne as formas graves de tuberculose, principalmente miliar e meníngea
Hepatite B: previne hepatite B
VIP/VOP: previne poliomielite
Pentavalente: previne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B
Rotavírus humano: previne diarreia por rotavírus
Pneumocócica 10: previne a pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo
Pneumocócica 23 Valente: previne pneumonia, otite, meningite e outras doenças causadas pelo Pneumococo
Meningocócica C: previne doença meningocócica do sorogrupo C
Meningocócica ACWY: previne doenças meningocócicas dos sorogrupos ACW
DTP: previne difteria, tétano e coqueluche
Tríplice viral: previne sarampo, caxumba e rubéola
Tetra viral: previne sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora)
Febre amarela: previne febre amarela
Hepatite A: previne hepatite A
HPV: previne o papiloma, vírus humano que causa cânceres e verrugas genitais
Varicela atenuada: previne varicela/catapora
Dupla adulto (dT): previne difteria e tétano
dTpa (Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto): previne difteria, tétano e coqueluche
Influenza: previne gripe